Archive for Junho 28th, 2008

Adeus.

Hoje eu acordei com o desejo imenso de que tudo não se passasse de apenas um sonho ruim.

Ontem quando estava fazendo umas fotos para revista meu celular tocou umas três vezes, até que eu parei e atendi. Era minha mãe me avisando que você não estava mais entre nós.  Na noite anterior um amigo nosso em comum deixou um recado pedindo para ligar. A primeira coisa que pensei era que não fosse nada de ruim.

Quem me conhece, para quem contei que fui estagiária da Rádio Nacional, deve ter ouvido diversas vezes eu me referir a “Heleninha”. Isso porque na minha vida aparecem pessoas que marcam a gente tão fortemente e você foi uma delas. Mesmo formada, mesmo trabalhando fora da área fui te visitar lá na rádio. Foi um choque para mim saber. Nunca foi tão longo o caminho até o telefone mais próximo, nunca foi tão ruim conversar com os nossos amigos.

Mas não quero falar de tristeza. Até por isso evitei ir ao seu enterro, porque o que quero guardar para sempre no meu coração são suas palavras doces. A sua paciência em ensinar esta mente inquieta a ter foco e escrever uma agenda cultural. Graças a você vivi dias incríveis ao ter a oportunidade de produzir o seu programa  nas férias do Giovani (Programa Espaço Cultural). Falo não isso para me gabar, mas sim por ter tido a honra de conviver com você, aprender com você, trabalhar com você.

Sinto não ter ido ao seu enterro. Mas não consegui ir. Seria demais para mim ver seu caixão. Prefiro lembrar das suas histórias, de como você me ensinou a aproveitar o menores prazeres da vida. Prefiro ouvir a fita da gravação do meu dia na rádio, em que você me chamou no estudio e se despediu de mim no ar.

Não cheguei a ouvir o seu programa “Encontro com Tia Heleninha” mas tive a sorte de te ver apresentando o espaço cultural, ouvir suas crônicas, aprendi a não ser tão ansiosa com você.

Helena Bortone, sei que você estava na rádio desde 1979, vários estagiários passaram por você e sei que todos nós sentimos muito a dor de ter alguém tão querido partir.

Vá em paz minha querida amiga. Obrigada, jamais irei esquecer da sua generosidade, jamais esquecerei da sua voz calma e do seu sorriso doce. Até logo minha amiga.

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